Encontre seu ritmo e entenda o porquê do seu cérebro ser uma orquestra!
Encontre seu ritmo e entenda o porquê do seu cérebro ser uma orquestra!

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Entenda o que estamos falando!

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Nosso cérebro é uma orquestra. Vemos nossa vida como um “filme dentro de um filme”, ​​que é a característica distintiva que separa os humanos dos animais inferiores. Você já pensou nisso?

O escritor Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Bernardo Soares, discorreu: “Só me conheço como sinfonia”.

Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia.” (Fernando Pessoa, em Livro do Desassossego)

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Por mais que não conhecesse exatamente os instrumentos que faziam dele uma orquestra, por mais que ignorasse os detalhes da estrutura interior que permitia que ele se expressasse…

Ele admitiu se conhecer por meio do que a orquestra produzia: a sinfonia de si mesmo.

Se levarmos em consideração que somos compostos por um conjunto de sistemas que operam simultaneamente, formados por células, tecidos e órgãos, podemos compreender o que Pessoa quis dizer com “orquestra”.

O regente da orquestra: o sistema nervoso central

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Por que temos um cérebro em primeiro lugar? Não escrever livros, artigos ou peças de teatro; não para fazer ciência ou tocar música.

Os cérebros se desenvolvem porque são uma maneira conveniente de administrar a vida em um corpo.” (Antonio Damasio)

Regidos por um grande maestro, o qual podemos chamar de sistema nervoso central (SNC), nossos sistemas garantem o bom funcionamento da sinfonia que é a nossa vida.

A metáfora da orquestra foi um artifício de Antonio Damasio, célebre neurocientista português que atualmente é professor de neurociências, psicologia e filosofia na University of Southern California (além de diretor do Brain and Creativity Institute, na mesma faculdade).

Quem é Antonio Damasio?

Damasio é autor dos mais famosos best-sellers que investigam a relação entre a emoção e o cérebro humano – O Erro de Descartes e E o Cérebro Criou o Homem.

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Entre a publicação desses dois estrondosos sucessos mundiais, ele publicou O Mistério da Consciência (2000), defendendo uma teoria que é especialmente interessante para que possamos compreender a complexidade da subjetividade humana.

A cada dia que acordamos, não precisamos lembrar quem éramos no dia anterior: se estivermos razoavelmente saudáveis, temos consciência de quem somos, de como devemos fazer para chegar até o banheiro e tomar banho, escovar os dentes, pentear os cabelos e daí por diante.

Conseguimos fazer isso porque nosso cérebro já desempenhou essas atividades tantas vezes que foram criados padrões neurais que estão sedimentados.

Além disso, a partir do momento em que acordamos, que estamos conscientes, sabemos que nós somos nós.

Você sabe que é você, e não outra pessoa: você existe, e é por existir que você pode observar o
mundo, conhecê-lo e agir sobre ele.

A consciência é fruto de quatro processos

Quanto maior a complexidade de uma determinada forma de vida, maior será o número de camadas da consciência dessa forma de vida.

Segundo Damasio, a consciência é fruto de quatro processos, que envolvem:

  • Estímulos sensoriais (responsável por interpretar informações advindas dos cinco sentidos);
  • Somatossensoriais (que identificam diversas percepções táteis, como dor, pressão e
    temperatura);
  • A memória retrospectiva (referente a acontecimentos passados);
  • E a prospectiva (referente a motivações e expectativas) – que, sob a forma de imagens, relaciona-se nas áreas multissensoriais do córtex e cria a subjetividade.

A consciência, assim como nossos sentimentos, é baseada em uma representação do corpo e como ele muda ao reagir a certos estímulos.

A autoimagem seria impensável sem essa representação.” (Antonio Damasio)

Uma resposta para por que somos o que somos

Deduzir que a junção entre memórias e estímulos é a responsável pela sensação de “eu” é uma saída muito inteligente e que justifica a existência desses intrincados processos cerebrais, que já
são admitidos por toda a comunidade científica.

Uma vez que eles existem e operam concomitantemente, há nisso uma determinada função. Se essa função não está explícita, talvez não seja objetiva.

Dá-se então a investigação do subjetivo, das nuances que constroem a consciência. Se todos os processos estão cuidadosamente orquestrados, o produto deles é o que somos.

Você tem apenas um eu e uma identidade. No entanto, self, identidade e personalidade não são coisas, não são objetos e certamente não são rígidos.

Em vez disso, são processos biológicos construídos no cérebro a partir de vários componentes interativos, passo a passo, ao longo de um período de tempo.” (Antonio Damasio)

Uma descoberta fundamental

Damásio acredita que não existe consciência sem cérebro. Ele entende a consciência como um processo determinado biologicamente.

Os seres humanos não apenas estão cônscios dos acontecimentos que passam na vida, mas também estão ricamente cientes de si mesmos como participantes da vida.

Os eventos não acontecem apenas para nós; nós os processamos, nos lembramos de alguns deles, temos emoções tanto conscientes quanto inconscientes em relação a eles; e, no auge, temos profundos sentimentos conscientes sobre eles.

Se a consciência for mesmo um construto que surge em decorrência da junção de todos os processos neurais mais importantes, Damasio certamente terá feito a descoberta mais fundamental de sua vida.

E também das neurociências, pelo menos até o momento.

Somos capazes de planejar nossas interações com base em um enorme banco de dados, tanto consciente quanto subconsciente, e, por fim, podemos escolher o rumo de nossas vidas.

“Não existe mente desencarnada. A mente é implantada no cérebro, e o cérebro é implantado no corpo.” (Antonio Damasio)

Argumentar sobre um tema tão propagado pela filosofia, assunto de calorosos debates e de poucas conclusões, e incluindo nisso evidências observáveis, seria ainda um ponto de virada na ciência da psicologia.

Uma nova abordagem do “self ”, tido sempre como um conceito vago e até algo inexistente, pelos
mais radicais.

Sob a ótica das neurociências, que nos últimos anos têm dado à psicologia a fundamentação da qual esta última carecia, Damasio está no caminho certo.

Quase nunca pensamos no presente e, quando o fazemos, é apenas para ver que luz ele lança sobre nossos planos para o futuro.

Essas são as palavras de Pascal, e é fácil ver o quão perceptivo ele era sobre a inexistência virtual do presente, consumidos como estamos usando o passado para planejar o que virá a seguir, um momento distante ou no futuro distante.” (Antonio Damásio, em O erro de Descartes)