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Montanha-russa em verso, roleta-russa inversa

Sempre quis verter em versos a sensação única de movimento fora de controle que é estar em uma montanha-russa; isso para reviver aquele vento no rosto que dava gosto de viver, aquele quase ataque cardíaco inesquecível, aquela adrenalina deliciosa que acelera o mundo e me fazia querer explodir e incorporar nessa explosão toda a existência do universo.

Para tal objetivo, passei muito tempo a escrever versos, tentando de todas as formas transpor tais sensações em palavras, sons, ritmo e significado, a fim de atingir a mais perfeita harmonia entre todos os elementos de maneira a obter o melhor resultado e criar um poema o qual, quando lido, realmente trouxesse a sensação de estar descendo a toda velocidade de uma volta gigante de uma montanha-russa, com o coração quase explodindo, sentindo a vida pulsar com toda a intensidade nas veias.

No entanto, anos e anos se passaram e nunca consegui me satisfazer com meus versos a ponto de ler neles exatamente a transposição perfeita da sensação sobre a qual comentei acima.

A decepção após tantas e tantas tentativas que nunca atingiram a perfeição me levou a buscar outras formas de encontrar tal sensação, pois de tanto tentar transformar isso em versos e nunca ter sucesso em tal empreitada, meu gosto pela adrenalina fornecida pela queda em uma montanha-russa foi gradualmente sendo substituído por meu gosto por quedas em geral: não conseguia mais pensar na sensação de intensidade da adrenalina da montanha-russa sem relacionar tal fato ao fracasso de meus versos que nunca compreenderam tal ideia, ao ponto do efeito de tal sensação morrer em mim e um gosto por quedas em geral surgir, quedas que tragam mais adrenalina do que um simples parque de diversões.


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Redação

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