Cirurgiã devolve prazer a mulheres que sofreram mutilação genital

O melhor é que ela nem cobra pelo serviço.

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A ginecologista Marci Bowers, que tem uma clínica na Califórnia, conheceu de perto a violência e o preconceito contra o corpo de mulheres na África e no Oriente Médio.

Por causa dessa experiência impactante, a médica tem se dedicado a devolver o prazer sexual reconstituindo clitóris em mulheres que foram mutiladas.

A Dra. Marci foi pioneira neste tipo de cirurgia, realizando a primeira nos Estados Unidos em 2009.

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O mais bacana é que a médica não cobra pelos seus serviços!

No entanto, a mulher que deseja a reconstrução precisa se deslocar até a área da Baía de São Francisco e pagar pelo aluguel da sala de cirurgia.

Até o momento, a cirurgia, que dura apenas 45 minutos, já ajudou mais de 300 mulheres.

mutilação de clitóris

Devolvendo o prazer a mulheres do mundo todo

Em maio deste ano, e após se preparar por dois anos, a ginecologista levou sua técnica ao Quênia.

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Lá, operou 45 mulheres em duas semanas, contando com o apoio de equipes médicas locais e três cirurgiões treinados por ela.

A fila de espera para a realização da cirurgia logo se formou…

Marci conta que mulheres de países vizinhos foram até ela para conseguirem a totalidade de seus corpos de volta.

“Elas sentem falta de uma parte do corpo”, explica a médica.

Violência disseminada

mutilação de clitóris

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Crédito: pexels

Só no Quênia, acredita-se que cerca de um quinto das mulheres tenha sofrido a mutilação genital, prática que também é tradicional no Oriente Médio.

Na Europa e nos Estados Unidos, os casos também acontecem nas comunidades de imigrantes.

De acordo com dados da Unicef, há aproximadamente 200 milhões de mulheres e meninas mutiladas no mundo.

Na Somália e no Egito, quatro em cada cinco mulheres são mutiladas. Porém, essa “tradição” tem sido questionada nos últimos 20 anos.

Informações da Organização das Nações Unidas indicam que os números estão diminuindo, ainda que lentamente.

Ausência de prazer sexual

mutilação de clitóris

Crédito: pexels

Mulheres e meninas que passaram pela mutilação de clitóris não conhecem o prazer sexual.

Nos casos mais severos, essas mulheres não sentem qualquer tipo de excitação e sentem dores.

O sexo se torna uma tortura, mesmo que apenas com fins reprodutivos.

“A mentalidade está mudando lentamente”, afirma a Dra. Marci.

“Muitas buscam sua dignidade perdida. Eu me identifico com elas. Sei o que é querer algo fisicamente e não ter.”

A história de Marci Bowers

mutilação de clitóris

Crédito: marcibowers.com

A afirmação da médica tem origem em sua própria história.

A ginecologista é transexual e, durante décadas, viveu presa em um corpo que não aceita, o de um homem.

Mark, seu nome de nascimento, era chefe de um departamento em um hospital, era casado e com três filhos.

Aos 38 anos, decidiu assumir sua identidade real e, após uma cirurgia de mudança de sexo, se tornou uma mulher, a Dra. Marci.

Hoje, atua nas mesmas funções, mas agora no gênero que acredita ser seu, o feminino.

Marci e a esposa continuam com o casamento legal, em uma parceria para criar os filhos.

A ginecologista se especializou na cirurgia de mudança de sexo e foi trabalhar com seu mentor, Dr. Stanley Biber, no Colorado.

O estado americano ficou conhecido como a capital mundial da troca de sexo por causa do cirurgião, o pioneiro na prática.

Ao se aposentar, o Dr. Biber passou seus clientes a Marci. O médico morreu três anos depois, aos 83 anos.

O prazer sexual de volta em 45 minutos

mutilação de clitóris

Crédito: pexels

Embora Marci tenha herdado toda a credibilidade de seu mentor, sua verdadeira vocação ainda demoraria alguns anos e não teria apoio total da classe médica.

Em 2009, após publicar um estudo sobre como o clitóris é estimulado no ato sexual, o ginecologista francês Pierre Foldès aplicou todo o seu conhecimento médico para atender vítimas de mutilação na África.

O médico criou uma cirurgia ambulatorial simples e de curta duração: apenas 45 minutos.

Basicamente, a cirurgia remove a cicatriz deixada pela mutilação para expor o que sobrou do clitóris e depois cortar um ligamento que o libera e o traz para a superfície.

O clitóris é um órgão que tem até 11 cm de comprimento e, por isso, a cirurgia é possível.

“Se você assiste a uma única cirurgia, percebe que 95% do clitóris ainda está lá”, declara o ginecologista francês.

Trabalho voluntário

mutilação de clitóris

Crédito: marcibowers.com

Marci já trouxe o prazer de volta a cerca de 300 mulheres. Em 2014, levou seu trabalho voluntário ao país Burkina Faso, em que quase 80% da população feminina é mutilada.

Nos Estados Unidos, estima-se que há quase 500 mil vítimas dessa violência.

Apesar de não cobrar pelo serviço, muitas mulheres ainda precisam enfrentar muitas barreiras.

Imigrantes têm dificuldades em arcar com o custo da viagem para a Califórnia.

Outras mulheres têm medo do procedimento, pois ficaram traumatizadas com a violência que sofreram.

Há, ainda, a própria descrença de uma parte da comunidade médica.

Marci afirma que alguns cirurgiões acreditam ser impossível restaurar o clitóris.

Um estudo publicado pelo Dr. Foldès em 2012, que acompanhou o pós-operatório de quase 850 mulheres, indica que a cirurgia funciona.

De acordo com esse estudo, mais de 800 relataram a diminuição das dores durante o ato sexual e sensações de prazer por meio do clitóris.

Cerca de 400 mulheres relataram ter atingido o orgasmo.

mutilação de clitóris

Crédito: pexels

Em Las Vegas, na sede da Clitoraid, Nadine Gary relata que nunca se esquecerá de um telefonema que recebeu.

“Uma mulher que havia passado pela cirurgia três meses antes chorava de emoção e queria me contar que havia vivido seu primeiro orgasmo. Isso ocorreu numa noite de 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, conta emocionada com a lembrança.

São por essas mulheres que Marci vai continuar sua missão, operando e enfrentando a resistência da classe médica.

“A ignorância dos médicos é inacreditável. Teríamos de começar por eles, ensinando sobre a fisiologia do clitóris”, afirma.

Compartilhe essa história e vamos trazer de volta a integridade física das mulheres que passaram por essa violência.

Fonte: sonoticiaboa.com.br

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