Não tolera a frustração? Aprenda a forma certa de lidar com as incertezas da vida!
Não tolera a frustração? Aprenda a forma certa de lidar com as incertezas da vida!

Não tolera a frustração? Aprenda a forma certa de lidar com as incertezas da vida!

Tudo pode ser aprendido com poucos passos!

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Atualmente, com o ritmo cada vez mais acelerado da vida diária, é muito comum que as pessoas se vejam diante de expectativas frustradas – seja por conta de um emprego, um amor ou mesmo da família. Todos querem tudo, e ao mesmo tempo!

A sensação que muitos relatam ter é a de que, apesar das sucessivas tentativas, há sempre um vazio que nunca é preenchido. Mas, será que esse contínuo desamparo é realmente uma novidade decorrente do nosso estilo de vida ultraglobalizado?

Um problema muito antigo

Ainda no início do século XX, bem antes de todas as evoluções tecnológicas que hoje nos rodeiam, o renomado psicanalista Carl Gustav Jung já mencionava que seus pacientes demonstravam possuir uma ânsia de completude que não se saciava, e que essa era uma tendência crescente.

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Essa ânsia, que ele chamou de “vazio existencial”, veio, mais tarde, ser abordada por outros pensadores, e teve seu ápice com o sociólogo Zygmunt Bauman.

Bauman, uma figura também muito famosa no mundo ocidental, discorreu em diversos de seus livros sobre a “modernidade líquida”, um estado no qual tudo é fugaz e a atenção não perdura sobre nenhum assunto.

O que faz com que entremos em contato com dezenas de possibilidades sem efetivamente nos deter em nenhuma, em uma espécie de atenção randômica, flutuante.

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Como resultado, uma vez que sem nos deter em um tópico (financeiro, profissional, amoroso, familiar ou até espiritual) não conseguimos cultivar recursos internos estáveis o suficiente para enfrentar as vicissitudes da vida, nós nos quedamos impotentes e frustrados com a nossa própria condição.

O primeiro passo: mindfulness, ou atenção plena

Com o objetivo de interromper, ou pelos menos de amenizar, essa espiral de ansiedade, algumas medidas podem ser tomadas para lidar com as incertezas. Uma delas é o cultivo da atenção plena, ou mindfulness, conceito científico que se aproxima muito da meditação, porém sem conotação religiosa.

Com as práticas de mindfulness, você aprende a perceber quando seu corpo está prestes a entrar em desequilíbrio por conta de fatores externos ou internos; ao notar o início do descarrilamento das suas emoções quando se depara com uma frustração.

Por exemplo, você terá mais chances de investir em outras práticas para o redirecionamento dos seus afetos negativos, como a raiva, a impaciência e a tristeza.

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Essa é uma estratégia comprovada e crucial para a evitação de doenças que são o mal do século XXI, como os transtornos ansiosos e a depressão.

Levando em conta que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS, e que a depressão possui uma possível predisposição epigenética, é muito recomendado cuidar hoje de como as suas emoções fluem ao se deparar com frustrações.

Isso pode proteger não somente a sua saúde, mas também a daqueles que você ainda virá a amar: seus filhos e netos.

O segundo passo: a mudança comportamental

Depois de se familiarizar com o conceito e as práticas de atenção plena, você já saberá identificar em quais momentos as suas emoções saem do controle e quais são as razões disso. O passo seguinte, então, é traçar um plano de ação para esses momentos.

O que você pode fazer quando se sentir frustrado?

Em uma agenda ou em um bloco de notas, físico ou virtual (você pode utilizar aplicativos, se se sentir mais confortável digitando que escrevendo à mão), escreva as atitudes ideais quando se sentir frustrado no trabalho e na vida pessoal.

De preferência, especifique os detalhes de cada circunstância. Por exemplo: no cenário “Ao me sentir frustrado com minha namorada, eu posso”, um sujeito hipotético ideal listaria as seguintes ações em seu plano:

  • “Notar que meus pensamentos podem ser apenas uma projeção minha;
  • Em seguida, para baixar meu nível de ansiedade, posso assistir a um filme ou praticar um esporte, até que me sinta pronto para conversar com ela;
  • Procurá-la e procurar entender os motivos dela para tais atitudes, explicando como me sinto e perguntando como podemos atuar juntos para que mal-entendidos não nos afastem.”

Ter uma agenda ou um diário com planos de ação para quando se sentir desorientado é uma maneira de minimizar atitudes impulsivas e que terão alto custo à frente.

Essa estratégia também fará com que você retome o diálogo interior positivo consigo mesmo, uma vez que as palavras terão sido escritas por você – mas um “você” que estava em um momento mais calmo, mais centrado, longe de emoções potencialmente negativas, como mágoa e medo. Com isso, você conseguirá manter o seu curso de ação ainda que imerso em frustração.

O terceiro passo: a manutenção do diálogo

Para que a mudança comportamental seja duradoura, é fundamental que você transforme o hábito de focar o que acontece externamente a você para o que acontece no seu interior.

Isso permitirá que suas ações diante das incertezas da vida derivem de uma mente limpa de distrações e do seu próprio desejo de agir prudentemente. Isso impedirá que você fique preso em uma espiral de negatividade, a qual, se fora de controle, resultaria em cada vez mais ansiedade, e até em uma depressão.

Porém, não pare por aí.

É preciso que as práticas de mindfulness e o plano de ação contribuam efetivamente para que o seu diálogo com os outros se torne mais consciente. Uma forma de conseguir isso é incluir no seu plano sempre algum tipo de interação com outra pessoa (ou outras pessoas).

Essa tática é crucial para que você não se feche nos seus próprios pensamentos, mas sim utilize-os como “ponte” para construir relacionamentos mais profundos e saudáveis.

Como você viu neste artigo, não é necessário nenhuma atitude extraordinária para diminuir as suas frustrações com o mundo.

Tudo é uma questão de mudança de foco e de planejamento, uma vez que nós, seres humanos, somos majoritariamente emocionais.

Sabendo disso, preveja seus comportamentos e tome as rédeas de suas emoções. Os benefícios virão a curto, médio e longo prazo.

Como escreveu Carl Jung no livro O eu e o inconsciente: “Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar”. Pense bem nisso!