Quem pensa demais pode ser mais inteligente e criativo, sugerem estudos

Você é um overthinker?

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Você é do tipo de pessoa que pensa demais (“overthinker”) e tem inúmeras conversas internas sobre praticamente tudo?

Você até pensa nas inúmeras possibilidades sobre uma questão e repensa várias vezes sobre o que poderia ou não acontecer antecipando os fatos?

Talvez você tenha amigos e familiares dizendo constantemente o quanto pensa demais e que deveria dar um tempo para a sua própria mente?

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É claro que tudo em excesso não é bom para a saúde mental de qualquer pessoa.

Estresse, ansiedade e tantas outras doenças atrapalham a vida, não é mesmo?

Mas se você se identifica com o fato de pensar demais e analisar questões, saiba que existe um lado positivo que a ciência aponta como benéfico:

Quem pensa demais é mais criativo para solucionar problemas.

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É o que sugere o artigo de Adam M. Perkins e  Danilo Arnone do Departamento de Medicina Psicológica da King’s College de Londres, Jonathan Smallwood do Departamento de Psicologia/Centro de Neuroimagem York da Universidade de York (UK) e Dean Mobbs do Departamento de Psicologia da Universidade de Columbia (Nova Iorque).

Os autores sugerem que embora o neuroticismo seja a tendência de autogerar pensamentos e sentimentos negativos, pessoas que têm altos índices de neuroticismo devem, em média, ser mais criativas para resolver problemas, já que se concentram mais nas questões.

Dessa forma, o pensamento excessivo leva à soluções ou idéias, como observa Adam Perkins, um dos autores do artigo em entrevista ao The Huffington Post:

“Se as pessoas neuróticas tendem a pensar mais sobre os problemas devido a ter um monte de pensamentos autogerados relacionados à ameaça – o que explica a sua tendência de se sentir infeliz – parece que eles terão uma melhor chance de criar soluções para esses problemas, em comparação com baixos marcadores de neuroticismo que olham para o lado positivo da vida o tempo todo.”

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O pesquisador também observa que apesar dos aspectos negativos, como sofrer de ansiedade e depressão, pessoas altamente neuróticas também podem aumentar o potencial criativo por causa de sua tendência profunda de reflexão e inquietude.

Ruminar assuntos e se preocupar demais pode ser sinal de inteligência verbal

Se preocupar e ruminar em excesso sobre as coisas é uma tendência comum das pessoas que pensam demais e o estudo de três pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Lakehead em Ontário, no Canadá relaciona esse hábito com mais inteligência verbal.

O estudo examinou 126 universitários por meio de uma série de questionários para medir a inteligência e como eles respondem ao estresse de eventos em suas vidas, examinando mais a fundo as relações entre distúrbios emocionais e raciocínio.

Os pesquisadores relatam que os resultados apoiam e estendem os achados de outros autores que encontram relação positiva entre preocupação e inteligência apenas em uma amostra clínica, enquanto que no presente estudo, eles estendem os resultados para amostras não clínicas:

“Os presentes achados também revelaram que a ruminação está positivamente relacionada à inteligência verbal. Entretanto, o processamento pós-evento foi negativamente relacionado à inteligência não-verbal. É possível que indivíduos mais inteligentes verbalmente são capazes de considerar os acontecimentos passados e futuros com mais detalhes, levando a ruminações e preocupações mais intensas. Indivíduos com maior inteligência não-verbal podem ser mais fortes no processamento dos sinais não-verbais de indivíduos com os quais eles interagem no momento, levando a uma diminuição da necessidade de reprocessar encontros sociais passados.”

Os próprios autores levantam a necessidade de mais estudos nesse campo, mas ressaltam que os resultados preliminares indicam que uma mente que se preocupa e rumina é uma mente mais verbalmente inteligente, enquanto que uma mente socialmente ruminativa deve ser menos capaz de processar informação não verbal.

Neuroticismo pode tornar você mais saudável

Nicholas A. Turiano Ph.D., do Departamento de Psiquiatria da Universidade do Centro Médico de Rochester em Nova Iorque, lidera o estudo em que investiga o que chama de “Neuroticismo Saudável”.

Enquanto as pessoas com neuroticismo elevado tendem a ter mais ansiedade, reação emocional e efeito negativo, o pesquisador diz em entrevista ao The Huffington Post que há o lado positivo da consciência elevada em relação à saúde:

“Nós pensamos que a consciência elevada dá a pessoa os recursos para evitar de se engajar a tais comportamentos prejudiciais e usar essa ansiedade para melhorar a saúde.”

Como por exemplo, um neurótico saudável ainda sentirá preocupação, mas a canalizará em comportamentos positivos, tais como ir à academia ou comer alimentos saudáveis.

“Essas pessoas são suscetíveis de pesar as consequências de suas ações, e, portanto, o seu nível de neuroticismo juntamente com a conscientização provavelmente os impede de se envolver em comportamentos de risco”, disse Turiano em artigo publicado pelo site da universidade.

Para testar essa hipótese do “Neuroticismo Saudável” em relação a interleucina-6 (IL-6, uma proteína imune que é conhecida por ser um biomarcador para a inflamação), o pesquisador e colaboradores realizaram estudo em que utilizaram a base de dados do National Survey of Midlife Development (MIDUS).

Foi usada uma amostra de 1.054 participantes que passaram por uma avaliação clínica completa com base na saúde, incluindo testes para biomarcadores relacionados com doença, função fisiológica e traços de personalidade.

Os achados foram consistentes com a hipótese dos pesquisadores de que neuroticismo e conscientização estão relacionados com a interleucina-6:

“No entanto, contrariamente as nossas hipóteses, níveis mais elevados de Neuroticismo estavam relacionados com níveis mais baixos de inflamação sob uma circunstância particular: quando a consciência também era maior.”

A interação neuroticismo-conscientização surgiu entre 441 indivíduos que obtiveram pontuação entre moderada e alta em ambas as características. E, quanto maior a pontuação de uma pessoa em conscientização e neuroticismo, menor os seus níveis de IL-6.

Esse grupo também apresentou menor índice de massa corporal e menos condições de saúde crônica diagnosticadas, relataram os pesquisadores.

Ser um “overthinker” pode trazer alguns problemas, mas, no fim das contas, os pesquisadores veem como algo positivo no dia a dia.

Fonte: huffingtonpost.com.

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