Cientistas encontraram um Planeta parecido com a Terra… E agora?

Somos tão importantes assim?

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Passam-se séculos, milênios, anos-luz e a vida continua sendo um maravilhoso mistério diante da ignorância humana.

A curiosidade para desvendá-la renasce a cada novo abrir de olhos, a cada desabrochar das plantas, a cada experiência e sentimentos vividos pelo homem.

Nesse contexto, astrônomos investem seu tempo, curiosidade, conhecimento e consciência – suas vidas, enfim – com o propósito de buscar respostas que levarão a novas perguntas.

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Recentemente, um grupo de pesquisadores coordenado por Guillem Anglada-Escudé, da Queen Mary University of London, tem revelado novidades sobre o exoplaneta Proxima B, que orbita a estrela Anã Vermelha, Proxima Centauro, do Alpha Centauro, o sistema de planetas mais próximo do Sistema Solar.

Artist's impression of the planet orbiting Proxima Centauri

Impressão artística da superfície de como Proxima pode parecer. Kornmesser.

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Mas o que são exoplanetas?

Exoplaneta é um planeta que orbita qualquer estrela que não seja o Sol, ou seja: pertence a um outro sistema planetário que não o Solar. Até 27 de fevereiro de 2016, havia 2.084 exoplanetas detectados.

Artist's impression of the planet orbiting Proxima Centauri

Artista: Kornmesser.

Para se ter uma ideia, o sistema onde orbita esse exoplaneta recém descoberto, o Alpha Centauro, fica a 4,2 anos-luz da Terra, ou seja, toda a luz e toda a radiação eletromagnética por ela emitida demora 4,2 anos para chegar até nós, viajando pelo espaço vazio a cerca de 300.000 km/s, a velocidade da luz no vácuo.

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Veja:

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O Pálido Ponto Vermelho

Mas você pode estar se perguntando: “Quem são os responsáveis por tais descobertas? A NASA?

Na verdade, os responsáveis são do ESO – European Southtern Observatory -, que trabalham desde janeiro de 2016 na divulgação das pesquisas a respeito do Proxima B por meio da tecnologia e precisão do equipamento HARPS, montado num telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile.

Seus dados complementam as imagens obtidas por telescópios robóticos do mundo inteiro.

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A campanha de “caça” a planetas cuja atmosfera seja parecida com a da Terra é liderada pelo astrônomo e professor da Queen Mary University, em Londres, e foi intitulada “Pale Red Dot” (Pálido Ponto Vermelho), em alusão ao “Pale Blue Dot” (Pálido Ponto Azul) – expressão utilizada há anos pelo cientista Carl Sagan (1934 – 1996) para se referir à Terra em seu livro homônimo.

Olha só que interessante (e assustador):

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O objetivo dos cientistas é tornar suas descobertas mais próximas do público leigo, permitindo que cada novo passo seja compartilhado, questionado, analisado e discutido por todos.

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Para referências de tamanho apenas. Crédito_Ian Morison.

Para referências de tamanho apenas. Crédito: Ian Morison.

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Proxima B não é uma nova Terra (ainda)!

Apesar de estudos científicos consistentes, referir-se ao Proxima B como um “irmão gêmeo” da Terra é ainda muito precipitado.

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Este gif representa Proxima B com uma atmosfera semelhante à da Terra, isto é: como as temperaturas seriam nos dois lados do exoplaneta (o que recebe luz e o que não recebe). Fonte: European Southern Observatory (ESO)

Sabe-se que, em determinadas épocas, o sistema Alpha Centauro apresenta um padrão regular de variação nas velocidades radiais que indica que o Proxima B tem uma massa de pelo menos 1,3 vezes a massa da Terra e que orbita com cerca de 5% de distância da Terra e do Sol.

Por outro lado, os cientistas não têm certeza se o tipo de atmosfera desse exoplaneta é capaz de prover e sustentar vida, mesmo porque, como você já viu no primeiro vídeo, sua órbita não permite que toda a esfera do planeta seja iluminada pela estrela Proxima Centauro – que, por sua vez, tem uma capacidade de iluminação muito menor que a do sol.

O objetivo de Guillem não é instaurar novas crenças, mas sim inspirar todos a “se ligarem” na ciência:

“Queremos compartilhar o entusiasmo da busca com as pessoas e mostrar-lhes como é que a ciência funciona nos bastidores: o processo de tentativa e erro e os esforços continuados que são necessários para conseguir fazer o tipo de descobertas que as pessoas ouvem normalmente nas notícias. Ao fazê-lo, esperamos encorajar mais pessoas para os temas ligados à ciência, tecnologia, engenharia e matemática e à ciência de uma maneira em geral”

Por isso, antes de sair por aí espalhando que a nova era Interestelar chegou e que o ser humano está prestes a colonizar o cosmos, lembre-se que nós não somos o centro do universo tampouco a espécie mais evoluída que nele habita.

Somos só mais um tipo de vida curiosa procurando razões para não se sentir tão insignificante.

Descobertas como essa nos dão (ou deveriam dar) ainda mais motivação para preservarmos a natureza tão sublime do planeta Terra, ao invés de usarmos os avanços científicos como desculpa para a destruirmos.

“Somos poeira de estrelas”

Essa e muitas outras frases de Carl Sagan ilustram nossa pequenez cósmica.

Podemos olhar para o Cruzeiro do Sul, analisarmos a Constelação Centauro e observarmos a dupla Alpha e Beta Centauro. Podemos focar na mais brilhante nossa vizinha: a Alfa Centauro.

O que nós veremos será uma “fotografia” tirada há quatro anos (distância em anos-luz entre a Terra e o Proxima B), uma velha imagem de um mundo distante, onde se esconde um pálido pontinho vermelho, um dos muitos pontinhos que podem gerar vida espalhados pela imensidão do universo.

“Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes.” – Carl Sagan.

Se depois de ler este texto você ainda acredita que estamos sozinhos e que o nosso umbigo é o centro do universo, reserve alguns minutos do seu dia para este choque de realidade:

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As descobertas da ciência não têm o objetivo de provar o quão superior a raça humana é, mas sim de refletir sobre o quão insignificantes nós somos diante de toda a imensidão do universo.

Partiu humildade? 😉

Fontes: theladbible.com, iflscience.com, eternosaprendizes.com, uol.com.br.

Links extras: nasa.gov, eso.org, space.com, nature.comSPACE TODAY TV, episódio 405.