27 Poemas de Charles Bukowski: se choque e se ENCANTE ao mesmo tempo

Bukowski sendo Bukowski!

27 Poemas de Charles Bukowski: se choque e se ENCANTE ao mesmo tempo
27 Poemas de Charles Bukowski: se choque e se ENCANTE ao mesmo tempo

E quem falar que o Charles Bukowski não foi um grande escritor, com muita certeza não chegou a conhecer as melhores pérolas que esse cara chegou a criar – mesmo que muito embriagado.

Conhecido por ser polêmico e por dizer as grandes verdades que os escritores de sua época não tinham coragem de dizer, Bukowski não só menosprezava o próprio trabalho, como também detonada os concorrente.

Mesmo estando sempre metido em apostas, álcool e prostitutas, existes textos que o velho Hank chegou a criar que não só nos emocionam, mas também nos inspiram bastante.

Não por menos, hoje é considerado um dos grandes escritores modernos que tanto inspiram os novos criadores dos tempos atuais.

E claro que não poderíamos deixar de reunir algumas se suas artes – com ou sem dureza e pancadas diretas -, precisamos de uma boa literatura sempre. Vamos lá?

Os melhores poemas do Charles Bukowski

O humilde herdou

se eu sofro assim diante dessa
máquina de escrever
pense em como eu me sentiria
entre os colhedores
de alface em Salinas?
penso nos homens
que conheci nas
fábricas
sem qualquer chance de
escapar –
sufocados enquanto vivem
sufocados enquanto riem
de Bob Hope ou Lucille
Ball enquanto
2 ou 3 crianças jogam
bolas de tênis contra
as paredes.
alguns suicídios jamais são
registrados.

27 Poemas de Charles Bukowski: se choque e se ENCANTE ao mesmo tempo

Provaremos as ilhas e o mar (O amor é um cão dos diabos)

sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.

Até

Nós temos que viver com a perda e
talvez jogar com uma mão de cartas
ruim
e
nós sabemos o tempo todo qual é o placar.
Nós o suportamos como Hemingway
ou o descartamos como
Camus
mas nós sabemos
nós sabemos.

É assim que funciona e
damos corda no relógio e
esperamos pela

madrugada ou o parque de diversões
um sanduíche ou o
lixeiro.

Nós vivemos com isso e vivemos com isso até
morrermos.

Causa e efeito

Os melhores sempre morrem por suas próprias mãos
apenas para ficarem livres,
e aqueles que ficaram
nunca conseguirão entender
porque alguém
iria querer
se livrar
deles.

27 Poemas de Charles Bukowski: se choque e se ENCANTE ao mesmo tempo

Este poeta (O amor é um cão dos diabos)

este poeta andou bebendo durante 2 ou 3 dias e ele
entrou no palco e olhou para a plateia e
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um
piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a
tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior
para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar
para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi
justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura.
conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará
em qualquer lugar por dinheiro.

The Crunch

muito
pouco muito pouco
muito gordo
muito magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiadores,
amantes,
estranhos, com rostos como
as costas de exércitos de
tachinhas
correndo por
ruas de sangue
agitando garrafas de
vinho, baionetas e fodendo
virgens.
ou um velho em um quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há uma solidão neste mundo tão grande
que você pode ver no lento movimento dos
ponteiros de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
pelo amor ou não.
as pessoas simplesmente não são boas umas para as outras
os ricos não são bons para os ricos e
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz
que todos podemos ser
grandes vencedores.
não nos falou
sobre as sarjetas
ou os suicídios.
ou o terror de uma pessoa
dolorida em um lugar
sozinha,
intocada e
não mencionada para
regar uma planta.
as pessoas não são boas umas para as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas para as outras.
Suponho que nunca serão.
Eu não peço que eles sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas vão balançar
as nuvens vão nublar
e o assassino decapitará a criança
como se estivesse dando uma mordida em uma casquinha de sorvete.
muito
pouco muito pouco
muito gordo
muito magro
ou ninguém
mais odiava do que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso, olho para as meninas,
hastes de
flores do acaso.
deve haver um caminho.
certamente deve haver uma maneira que ainda não
pensamos.
quem colocou esse cérebro dentro de mim?
chora, exige, diz que há uma chance.
não vai dizer
“não”.

poemas-bukowcki

Pássaro Azul 

há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?

Sorte (O amor é um cão dos diabos)

o que está mal a respeito disso
tudo
é ver as pessoas
bebendo café e
esperando. gostaria de
embebê-los todos
na sorte. eles precisam
disso. precisam bem
mais do que eu.
sento nos cafés
e os vejo a
esperar. não creio
que haja muito mais
a fazer. as moscas
vão pra lá e pra cá
nos vidros das janelas
e bebemos nosso
café e fingimos
não olhar uns
para os outros.
espero junto com eles.
entre o movimento
das moscas
as pessoas vagueiam.

É o modo como você joga o jogo

chame-a de amor
coloque-a de pé sob a luz
imperfeita
ponha-lhe um vestido
reze cante implore chore ria
apague as luzes
ligue o rádio
acrescente-lhe enfeites:
manteiga, ovos crus, jornais de
ontem;
um cadarço novo, e então
páprica, açúcar, sal, pimenta,
ligue para sua tia velha e bêbada em
Calexico;
chame-a de amor,
espete-a bem, adicione
repolho e molho de maçã,
então a esquente primeiro
no lado esquerdo,
depois no
direito,
ponha-a numa caixa
livre-se dela
deixe-a nos degraus de uma porta
vomitando como você fará
nas
hortênsias.

poemas-bukowski

Sozinho com todo mundo

a carne cobre os ossos
e colocam uma mente
ali dentro e
algumas vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homem bebem
demais
e ninguém encontra o
par ideal
mas seguem na
procura
rastejando para dentro e para fora
dos leitos.
a carne cobre
os ossos e a
carne busca
muito mais do que mera
carne.

de fato, não há qualquer
chance:
estamos todos presos
a um destino
singular.

ninguém nunca encontra
o par ideal.

as lixeiras da cidade se completam
os ferros-velhos se completam
os hospícios se completam
as sepulturas se completam

nada mais
se completa.

CÃO (O amor é um cão dos diabos)

um cão apenas
caminhando sozinho numa calçada quente em pleno
verão
parece ter mais poder
do que dez mil deuses.
por que isso?

Boletim do tempo

suponho que esteja chovendo em alguma cidade espanhola
neste momento
enquanto me sinto mal
deste jeito;
gosto de pensar nisso
agora.
vamos a um vilarejo mexicano –
isso soa bem:
um vilarejo mexicano
enquanto me sinto mal
deste jeito
as paredes amareladas pelo tempo –
aquela chuva
lá fora,
um porco se movendo em seu chiqueiro à noite
incomodado pela chuva,
os olhos diminutos como pontas de cigarro,
e seu maldito rabo:
pode vê-lo?
não consigo imaginar as pessoas.
talvez elas também estejam se sentindo mal,
quase tão mal quanto eu.
pergunto-me o que elas fazem quando se sentem
assim?
provavelmente não o mencionam.
dizem apenas,
“veja, está chovendo”.
Assim é melhor mesmo.

poemas-bukowski

Escrevendo

muitas vezes é a única
coisa
entre você e a
impossibilidade.
nenhuma bebida,
nenhum amor de mulher,
nenhuma riqueza
pode se
comparar a isso.
nada pode salvá-
lo,
exceto
escrever.
ele mantém as paredes
de
falhando.
as hordas de se
aproximar.
Isso destrói a
escuridão.
escrever é o psiquiatra
supremo,
o
deus mais bondoso de todos os
deuses.
a escrita espreita a
morte.
não sabe
desistir.
e a escrita
ri de
si mesma,
com dor.
é a última
expectativa,
a última
explicação.
isso é
o que
é.

Poema nos meus 43 anos

terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida—
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter um quarto.
…de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores , médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…
e você se vira
para o lado pra pegar o sol
nas costas e não
direto nos olhos.

O Coração Risonho

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.

Consumação da dor

Ouço até as montanhas
a maneira como riem para
cima e para baixo em seus lados azuis
e, na água,
os peixes choram
e a água
são suas lágrimas.
Eu ouço a água
nas noites em que bebo
e a tristeza torna-se tão grande
que ouço no meu relógio
que se transforma em botões na minha cômoda
torna-se papel no chão
torna-se uma calçadeira
um bilhete de lavanderia
torna-se
fumaça de cigarro
subindo uma capela de escuridão videiras…
pouco importa
muito pouco amor não é tão ruim
ou muito pouca vida o
que conta
é esperar nas paredes
Eu nasci para isso, nasci para empurrar rosas pelas avenidas dos mortos.

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Quando me penso morto

penso em automóveis estacionados
nas vagas
quando me penso morto
penso em panelas de fritura
quando me penso morto
penso em alguém fazendo amor com você
quando não estou por perto
quando me penso morto
respiro com dificuldade
quando me penso morto
penso em todas as pessoas que esperam pela morte
quando me penso morto
penso que nunca mais poderei beber água
quando me penso morto
o ar fica completamente puro
as baratas na minha cozinha
tremem

e alguém terá que jogar
fora minhas cuecas limpas e
sujas

A estória final

Deus, lá vem ele bêbado novamente
contando as mesmas velhas estórias
de novo e de novo
à medida que eles o empurram para
mais – alguns com nada melhor
pra fazer, outros
secretamente bisbilhotando
este grande escritor
tagarelando
babando
no seu camundongo de
estimação
falando sobre a
guerra
falando sobre as
guerras
falando sobre o valente
peixe
sobre as touradas
e até mesmo sobre
suas mulheres.

as pessoas
vêm até o
bar
noite após noite
para o mesmo
espetáculo
o qual ele um dia
acabará
sozinho
estourando seus
miolos contra a
parede.

O preço da criação
nunca é alto demais.

O de se conviver
com outras pessoas
sempre é.

Confissão

À espera da morte
como um gato
que saltará sobre a
cama

Sinto terrivelmente por
minha esposa

Ela verá este
corpo
duro e
branco

Vai sacudi-lo uma vez, depois
quem sabe
outra:

“Hank!”

Hank não
responderá.

Não é minha morte o que
me preocupa, é minha mulher
abandonada com este
monte de
nada.

Quero
no entando
que ela saiba
que todas as noites
dormindo
ao seu lado

Que mesmo as discussões
inúteis
sempre foram
esplêndidas

E que as palavras
difíceis
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu te
amo.

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Aprisionado

no inverno caminhando em meu
teto meus olhos do tamanho de luzes de
poste. tenho quatro patas como um rato mas
lavo minhas roupas íntimas – barbeado e
de ressaca e de pau duro e sem advogado.
tenho cara de esfregão. canto
canções de amor e carrego aço.
preferiria morrer a chorar. não suporto
a matilha não posso viver sem ela.
inclino minha cabeça contra o refrigerador
branco e quero gritar como
o último lamento de vida para todo sempre mas
sou maior do que as montanhas.

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