6 maneiras malucas que algumas séries famosas foram escritas

Como os seriados que amamos são escritos?

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Em sua melhor forma, a criação para TV é uma forma de arte excepcional – do mal-estar existencial de Mad Men, passando pelo horror sarcástico de Buffy, a Caça Vampiros até o infelizmente cancelado Zoo, que chegou a dedicar um episódio inteiro à tentativa de colocar um polvo gigante dentro de um avião.

Mas como esses seriados que amamos são escritos?

Às vezes, a resposta para esta pergunta é mais interessante que algumas temporadas inteiras…

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Confira:

1. Um episódio de South Park foi escrito, gravado e animado em menos de uma semana

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Para os curiosos sobre como South Park teve a ideia de um episódio que, digamos, satiriza simultaneamente R. Kelly, Tom Cruise e a verdade de Flash Gordon sob uso de mescalina sobre a cosmologia maluca da Cientologia, há um documentário inteiro sobre isso.

O documentário de uma hora de duração chamado “6 Days to Air” mostra como a equipe de South Park cria um episódio em, bem, seis dias.

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Para efeito de comparação, um único episódio de Os Simpsons leva entre seis e oito meses.

Se todos os seriados seguissem a agenda ridícula de South Park, Game of Thrones seria a luta entre um fantoche de dragão feito de meias contra uma vassoura, filmada de um iPhone.

Tudo começa na sala do escritor, que por acaso é onde está a ex-estrela do SNL, Bill Hader, cujo trabalho é aparentemente rir bastante e fazer palhaçadas.

Após os escritores terem cuspido algumas ideias engraçadas, Trey Parker se isola para escrever o roteiro. Quando ele “emperra”, Parker monta Legos quase meditativamente.

Outra parte do processo de criativo de Parker evidentemente envolve devorar quantidades absurdas de McDonald’s – o que presumidamente inspirou a flatulência furiosa de Terrance e Philip.

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Então, ao invés de terceirizar a animação para a Coreia, a equipe de South Park faz tudo no mesmo escritório, de storyboards até animação e gravação de áudio.

Eles quase vão até o ponto de aparecer em dormitórios da faculdade para ajudar meninos a fumar maconha e baixar torrents.

Quando terminam este processo exaustivo, eles entregam o episódio à emissora faltando horas para ir ao ar… Ao ponto em que Parker declara que o episódio é uma merda.

Ei, mas pelo menos eles tem um dia inteiro de folga até começarem o ciclo novamente.

2. Muitos dos melhores episódios de Os Simpsons foram escritos por um gênio recluso

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Ao longo de sua carreira, John Swartzwelder escreveu 59 episódios de Os Simpsons, incluindo todos os seus favoritos, como “Bart The General”, “You Only Move Twice,” e “Itchy And Scratchy Land”.

Sim, acredite ou não, uma mente humana inventou esta piada.

Então qual foi a técnica de Swartzwelder para a infalível aclamação da crítica? Bem, ela envolveu uma porrada de cigarros e uma alergia mortal de aparecer em reuniões de equipe – ou na verdade, de lidar com qualquer pessoa.

Embora ele tenha começado a trabalhar no escritório, Swartzwelder eventualmente foi liberado do trabalho (e por não dar a mínima) devido a seu hábito de fumar como uma chaminé em ambientes fechados mesmo sendo proibido.

Sem a obrigação de trabalhar de um escritório, eventualmente ele encontrou seu ambiente de trabalho perfeito: uma mesa específica de um restaurante local, onde ele passava todos os dias bebendo café e destruindo seu coração e seu pulmão totalmente preto.

Ele ficou tão apegado com sua mesa que (de acordo com Matt Groening em um comentário no DVD da 8ª temporada) quando houve a proibição de fumar em locais públicos, Swartzwelder comprou a mesa e a instalou em sua casa.

Ele tinha um ar tão misterioso que uma vez os fãs fanáticos pensaram que “John Swartzwelder” era o nome compartilhado por vários escritores – uma espécia de Alan Smithee ao contrário.

O fato de haver apenas uma aparição documentada dele não ajudou muito esses rumores, mas também não impediu que os animadores do seriado o colocasse no maior número de cenas aleatórias possíveis.

3. Seinfeld contratou escritores para suas histórias estranhas (que se tornaram o enredo do seriado)

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Não é segredo que Seinfeld foi muito baseado nas experiências reais de Jerry Seinfeld e Larry David, como ter um vizinho excêntrico chamado Kramer.

É claro que, em certo ponto, a dupla teve que buscar outros escritores … principalmente, ao que parece, para desviar suas divertidas piadas para serem usadas no seriado.

De acordo com o livro Seinfeldia, David e Seinfeld “raramente contratavam” escritores com experiência em seriados de comédia.

Entre as temporadas, a maioria dos escritores eram demitidos, e David “trazia uma leva de ex-comediantes de stand up, usava no enredo da série o que havia de melhor em suas apresentações … e começava de novo com uma nova leva de comediantes”.

Sim, esses caras eram mais ou menos como Nosferatu, que viveu de histórias sexuais constrangedoras.

Para adicionar mais coisas estranhas, Seinfeld não tinha uma sala de escritores tradicional. Os escritores tinham que procurar por Larry ou Jerry no “labirinto” de escritórios e lançar ideias baseadas em suas próprias experiências ou experiências de outra pessoa.

Um escritor, Spike Feresten, foi à uma reunião com a dupla e lançou dez ideias, todas reprovadas.

Então, para “quebrar o gelo”, Ferensten começou a falar sobre um miserável vendedor de sopas – foi quando, para sua total confusão, eles o mandaram para fora da sala e disseram “Este é o seu primeiro episódio”. Boom, pura magia da TV.

O mesmo escritor também baseou a terrível dança de Elaine nos passos horrorosos de seu antigo chefe, o criador do SNL Lorne “Dr. Evil” Michaels.

Festivus, a vergonhosa alternativa do pai de George para o Natal, foi baseada em uma das tradicões familiares do escritor Dan O’Keefe, o qual teve que ser convencido pelos produtores de colocar o episódio no ar, pois ele não queria que sua “vergonha familiar” fosse transmitida em horário nobre.

De acordo com O’Keefe, “The Airing of Grievances” foi real, mas o poste de alumínio foi criado para a série, porque “o verdadeiro símbolo do feriado era um relógio dentro de um saco pregado na parede e ao lado uma placa que dizia ‘Foda-se o Fascismo’”.

Aliás, alguém verificou se Larry David teve uma noiva que morreu sob circunstâncias misteriosas envolvendo convites de casamento?

4. Jornada nas Estrelas: A Nova Geração algumas vezes foi escrita por fãs

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Em algumas semanas você colocava em Jornada nas Estrelas: A Nova Geração somente para ser atacado por cabeças explodindo e os monstros de Cronenberg, enquanto em outras semanas você veria plumas de névoa verde distribuindo orgasmos espaciais.

Então, o que se passou nessa mistura genial de aventura espacial com ocasional erotismo confuso?

Bem, muito disso veio diretamente dos fãs.

Enquanto as séries modernas não se misturam com os telespectadores, A Próxima Geração decidiu aceitar roteiros especulativos “não solicitados”, e foi a única série a fazer isso na época.

E, embora eles provavelmente tenham recebido um monte de roteiros em que a Enterprise viaja de volta à Terra na década de 80, em busca de um escritor desempregado que vivia em um estúdio para capitanear o navio e fazer amor com Deanna Troi, esta política também resultou em grandes episódios, como o aclamado “The Measure Of A Man”.

Também teve aquele com a filha de Data, aquele que Geordi se transforma em um alienígena que brilha no escuro … caramba, até aquele episódio clássico do sexo fantasma veio de um roteiro especulativo.

E como estes escritores inexperientes conseguiram criar um diálogo tão complexo cientificamente?

O futuro diretor de Battlestar Galactica, Ronald D. Moore (que também conseguiu emprego em TNG através de roteiros especulativos) revelou a bomba de que ele só escrevia a palavra “tecnologia” no roteiro “quando eles precisavam concluir uma história”, e os especialistas escreviam em algum jargão científico depois.

Um rascunho inicial seria algo assim:

La Forge: “Capitão, e tecnologia está ‘sobretecnológica’”.

Picard: “Bem, faça a rota da tecnologia na tecnologia, Sr. La Forge”

La Forge: “Não, Capitão. Capitão, eu tentei a tecnologia na tecnologia e não funcionou”.

Picard: “Bem, então estamos condenados.”

É claro, você deve imaginar se o Comandante Riker alguma vez entrou no escritório à noite e alterou “tecnologia” por “solo de trombone”.

5. Os próximos 14 filmes da série Transformers foram criados em um alojamento da Hasbro

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Nós não sabemos muito sobre como os primeiros episódios da série de filmes Transformers foram escritos, mas imaginamos que provavelmente envolveu medir o tamanho da ereção de Michael Bay quando começou a sonhar com sequências de ação.

Enquanto ficou claro que a série se recusou a morrer, entretanto, foram necessárias novas ideias – por isso a criação de uma sala de escritores estilo seriado de comédia, onde uma equipe de escritores recebeu $200.000 cada para sonhar com tantas premissas seus talentos e suas consciências lhe permitissem.

Mas esta sala de escritores em particular não era apenas cadeiras e vending machines. Ah não, para conseguir fazer os fluídos dos escritores fluirem, a Hasbro encheu a sala com a maior quantidade possível de produtos Transformers.

Máquinas de pinball, action figures, artes, robôs gigantes, você escolhe – os escritores tinham que diminuir as luzes e absorver aquela merda como mensagens divinas do Megatron.

E quer saber? Isso funcionou!

Com a ajuda de uma linha do tempo especial mostrando as aventuras canônicas dos caminhões falantes mais queridos do mundo, voltando no tempo bilhões de anos, a equipe conseguiu gerar ideias para 14 filmes, incluindo uma história estrelando Bumblebee nos anos 80.

6. Todos os episódios de Rick & Morty são feitos usando uma fórmula muito específica (e de vez em quando bebidas alcoólicas)

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Mesmo se você nunca assistiu a série Rick & Morty, sem dúvida já ouviu falar da lealdade intensa que ela inspira.

Quer saber o segredo de criar uma série que faz com que as pessoas troquem um pacote de molho por um Volkswagen Golf MK4 ano 2000?

Nós também. Aqui está o que nós descobrimos.

Cada episódio é escrito usando uma fórmula específica: o “Círculo de história” ou “Embriões” de Dan Harmon. Harmon tem usado esta estrutura básica para escrever roteiros desde pelo menos a sua última série, assim:

O Círculo de história foi inspirado pelo “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell. Harmon o adaptou para trabalhar para ele, e a “meta-alegria” seguiu.

O canal do YouTube FilmInTheMaking nos dá uma excelente explicação do Círculo de história de Harmon usando o episódio piloto de Rick & Morty:

Passo 1: VOCÊ. Neste caso, “você” significa Morty, preso para sempre no horripilante estágio da vida chamado “ter 14 anos”.

Sua zona de conforto é a escola, que é uma droga, mas pelo menos é algo com que você pode lidar todos os dias.

Passo 2: NECESSIDADE. O valentão puxa um canivete pra você. É seguro dizer que você precisa de ajuda com isso.

Por sorte, o seu avô alcoólatra e gênio aparece rapidamente e o detém com um raio congelante, porque ele precisa de sua ajuda.

Passo 3: VAI. A missão do vovô Rick exige viagens interdimensionais hoje.

Isso leva você da sua zona de conforto para… A terra do Dr. Seuss? Não leia muito sobre isso.

Passo 4: BUSCA. A viagem transdimensional não é moleza. “Busca” e “adaptação” geralmente significa “correr pela sua vida” se você for um Morty.

Passo 5: ENCONTRO. Hoje é dia de pagamento, bebê!

Neste episódio, Rick está atrás de megasementes e após alguns percalços – Morty cai de um penhasco e quebra as duas pernas, forçando Rick a ir para uma dimensão com Soro de Pernas Quebradas em todas as farmácias – ele encontra as sementes.

Passo 6: PAGAMENTO. Nada é de graça, mesmo quando você está roubando do quintal de outra dimensão.

Megasementes não são exatamente legais, então só há uma forma de consegui-las pela fronteira interdimensional: Morty paga pelas sementes primeiro, tendo que enfiá-las em sua cavidade anal e então ser forçado a envolver o governo em um tiroteio brutal.

Passo 7: RETORNO. Agora que você foi devidamente traumatizado por suas aventuras, é hora de voltar para a antiga Zona de Conforto!

Passo 8: MUDANÇA. A antiga zona de conforto não é mais tão confortável, agora que você sabe que todos os mundos existentes são lugares malucos e caóticos e o seu reto está cheio de megasementes derretidas.

As coisas nunca serão normais novamente. Agora temos uma série!

Harmon explica seu processo criativo com suas próprias palavras em seu Tumblr. Quando a parte escrita acaba, contudo, é hora de improvisação e trabalho de voz … os dois envolvendo álcool.

Nosso exemplo favorito: para a paródia de super-herói da terceira temporada “Vindicators 3: The Return of Worldender”, o cocriador Justin Roiland foi muuuuito relaxado ao retratar Rick como literalmente um bêbado de calças borradas.

O produtor associado Sydney Ryan teve que lidar com isso, impedindo que Roiland fosse para muito longe do roteiro e muito perto do território de vômito.

Você pode assistir, seguido de um pequeno e charmoso clipe de Harmon ironicamente se desculpando por ter que “dispensar Justin pela performance da vida”.

Você já tinha ouvido falar disso? O que acha? Comente!

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Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Cracked escrito por Adam Wears, JM McNab e Marina Reimann.

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